• Aline Mesquita

Halloween oriental

Estamos na semana do halloween e quem disse que dança do ventre não combina com halloween? É verdade que são tradições de culturas bem distintas, mas quando o nosso conhecimento e nossas preferências estéticas, artísticas e culturais abrangem as duas culturas, por que não tentar combiná-las, não é mesmo? Uma apresentação temática dessas pode render registros muito legais. Se você, assim como eu, curte o dia das bruxas e gostaria de dançar algo dentro deste tema, mas não sabe por onde começar, eu posso dar algumas dicas. A seguir, alguns exemplos do que eu já experimentei, que se encaixam em apresentações para o halloween:

Zaar – O Chamado


Essa foi uma performance de Zaar, em um espetáculo de fim de ano chamado 'Vilões'. Para esta apresentação com essa temátca, escolhi interpretar a icônica e aterrorizante personagem Samara Morgan, do filme de horror 'O Chamado' (The Ring). O figurino, uma galabiya de cor clara para as cerimônias do Zaar, combina com a roupa usada pela personagem; na performance, usei alguns gestos e movimentos que lembrassem os momentos aterrorizantes com a presença de Samara, como o andar em quatro apoios e ficar parada com os cabelos cobrindo o rosto, por exemplo. Além disso, a escolha pela dança Zaar também se conecta com o tema e a personagem por ser uma dança ligada a rituais, de acordo com a sua tradição, para apaziguar os espíritos. A trilha sonora base é uma percussão tradicional para o zaar e a edição contém trechos da trilha original do filme O Chamado (The Ring) junto com alguns efeitos para ajudar a criar a atmosfera da apresentação. O Zaar é uma cerimônia de “transe” do Norte da África e do Oriente médio que não é aceita pelo Islã, mas que continua fazendo parte dessas culturas. Ele pode ser melhor descrito como um "culto de cura", no qual utiliza-se o ritmo (o mais comum é o Ayoub) e a dança para promover esse transe como forma de pacificar o espírito (chamado de Djin) e harmonizar as vidas dos participantes. Ele também funciona como um compartilhamento de conhecimento e solidariedade social entre as mulheres dessas culturas tão patriarcais. O ritual Zaar, segundo a tradição, é feito exclusivamente por mulheres; os homens - músicos ou ajudantes - participam para entoar o ritmo, enquanto as mulheres que estão sendo tratadas começam a se movimentar com a cabeça de forma lenta, ganhando velocidade aos poucos até entrar em transe e desmaiar, para que elas se libertem dos espíritos ruins. Na dança do ventre, o Zaar aparece na utilização dos passos usados para as mulheres entrarem em transe. Neste caso não há teor religioso, apenas se marca o ritmo Ayoub, sem a intenção ritualística: a dançarina joga a cabeça e o cabelo de um lado para o outro, para cima e para baixo e os gira, podendo também usar movimentos pélvicos e de braços.

Nas duas apresentações seguintes, representei uma outra personagem, a vampira Lily Munster da série de TV The Munsters.

Lily Munster - Tabla Zaar e Kings Favourite



Este foi um evento especial de Halloween chamado QUEENS OF DARKNESS. Nesta

Eu, minhas asas e minha mecha branca de Lily Munster

apresentação de dança do ventre com elementos modernos a proposta era que as bailarinas interpretassem aquelas que são consideradas as "dark divas" do cinema, e entre elas, a vampira Lily Munster, da série The Munsters, que foi aqui representada por mim. O figurino foi customizado para ter elementos que lembrassem uma vampira e a maquiagem, é claro, também levou em consideração a palidez da personagem. A entrada da dança foi executada ao som da vinheta de abertura da série The Munsters, depois a apresentação vai para o seu momento oriental que se baseia em solo de percussão e encerra, após os aplausos tocando novamente a vinheta. Na minha segunda participação, voltei a interpretar a versão dançarina do ventre de Lily Munster, dessa vez ao som da música oriental tradicional Kings Favourite. The Munsters foi uma série de televisão criada ao mesmo tempo que a Família Addams; a série foi ao ar no dia 24 de Setembro de 1964 pela rede de televisão CBS e trata da vida família Munster, que vivia como uma típica família trabalhadora de classe média dos subúrbios das grandes cidades, apesar da casa em que moravam se parecer com uma mansão gótica de estilo vitoriano e de praticamente todos os membros da família possuírem aparência de criaturas fantasmagóricas de filmes de terror.


I Put A Spell On You

I Put A Spell On You é uma música que foi originalmente composta por Jalacy "Screamin' Jay" Hawkins, em 1956, mas acabou se tornando verdadeiramente reconhecida alguns anos mais tarde com a versão da lendária cantora norte americana Nina Simone, que acabou lançando um álbum batizado com o nome da faixa. Ao longo dos anos, a canção foi reinterpretada por diversos artistas, incluindo a cantora belga de ascendência árabe, Natacha Atlas, que assina a versão apresentada nesse vídeo. A música fala de uma paixão/amor possessiva(o), de modo que o eu lírico da cantora declara que enfeitiçou a pessoa amada e agora ela a pertence. A apresentação, portanto, tem essa conotação; essa malícia de uma bruxa que enfeitiçou a pessoa amada.

Kitana Bellydance

Para finalizar, a próxima apresentação não é exatamente inspirada em personagens de terror ou dia das bruxas, embora essa estética também esteja presente na origem da personagem.


Kitana Bellydance é uma performance de dança do ventre moderna e ao mesmo tempo um cosplay inspirado na personagem Kitana do jogo de video game Mortal Kombat. O figurino do cosplay é livremente inspirado nas roupas da personagem, adaptado para a dança oriental e o acessório fan veil ou véu leque é utilizado como referência aos leques que a personagem utiliza como armas no jogo. Na introdução da performance, são demonstrados alguns movimentos de kung fu para criar uma conexão entre a apresentação de dança e as artes marciais que estão presentes no jogo. A trilha sonora usada na apresentação é a música tema do filme Mortal Kombat, chamada Techno-Syndrome 7" Mix (Mortal Kombat Theme) do artista The Immortals. Mortal Kombat é uma série de jogos de vídeo game de luta, criada em 1992. A violência exagerada e até caricata do jogo, que lembra filmes de horror, se tornou uma marca e é um dos grandes motivos do seu sucesso.



E é isso, pessoal! Se você leu até aqui, muito obrigada! Espero que você tenha gostado desse post e das ideias para fazer uma apresentação de dança do ventre com o tema de dia das bruxas. Se você gostou desse post, então compartilha para ajudar a difundir a dança oriental com todas as influências culturais. Sinta-se à vontade para comentar o que você achou do que viu ou leu aqui, o que você acha dessa mistura de dança do ventre com halloween, você gosta de dias das bruxas? E de filmes de horror? Que personagens você gostaria de representar?

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